RESUMO- O artigo aborda a importância do enfermeiro durante o processo do parto humanizado, mediante a vários relatos relacionados à violência obstétrica. O artigo tem a finalidade de apresentar o papel do enfermeiro, trazendo pontos cruciais que devem ser executados para melhor atendimento, além dos desafios enfrentados por esses profissionais que servem como obstáculos para que ocorra a humanização antes e durante o parto. Os resultados dessa pesquisa apontaram o quão é imprescindível que o profissional explique à parturiente todos os procedimentos a serem realizados, a fim de que haja uma comunicação ativa, além de obter uma equipe preparada para proporcionar segurança e bem-estar à parturiente, gerando resultados satisfatórios.

Juscelina da Silva Marques Gonçalves
Bacharel em Enfermagem
PALAVRAS-CHAVE: Parto Humanizado; Parturiente; Violência Obstétrica.
ABSTRACT– This article addresses the importance of nurses during the process of humanized childbirth, based on several reports related to obstetric violence. The article aims to present the role of nurses, highlighting crucial points that must be implemented to provide better care, in addition to the challenges faced by these professionals that serve as obstacles to humanization before and during childbirth. The results of this research showed how essential it is for professionals to explain to the woman in labor all the procedures to be performed, so that there is active communication, in addition to obtaining a team prepared to provide safety and well-being to the woman in labor, generating satisfactory results.
KEYWORDS: Humanized Childbirth; Parturient; Obstetric Violence
1 INTRODUÇÃO
De acordo com Gomes et al. (2020, p. 186) “o acolhimento e a atenção oferecida pela equipe de enfermagem é de extrema importância para amenizar o tão temido medo do parto.” Mediante a essa citação, é possível concretizar que a preparação dos profissionais para que a parturiente tenha uma experiência positiva é imprescindível, visto que, os enfermeiros têm um papel fundamental antes, durante e principalmente após o parto.
Devido a tantas ocorrências relacionadas à violência obstétrica, a nomenclatura “parto humanizado” tornou-se comum e mais comentada atualmente, principalmente nas redes sociais. De acordo com Zanardo et al. (2017, p. 5) “a violência obstétrica é considerada uma violação dos direitos das mulheres grávidas em processo de parto, que inclui perda da autonomia e decisão sobre seus corpos”. Apesar de ser um assunto mais conhecido, ainda sim, existem muitos casos de violência obstétrica, não somente em hospitais públicos, mas também em hospitais particulares. Vale ressaltar, que é crucial que os profissionais garantam o bem-estar da mulher, atendendo suas vontades, de acordo com o que é necessário para tornar o momento mais satisfatório.
É fundamental que o profissional explique todo o procedimento a ser feito para que a parturiente compreenda tais ações que serão realizadas.
A gestante deve ter suas vontades atendida de acordo com suas necessidades e possibilidades, com a ajuda dos profissionais de saúde, entre eles enfermeiros capacitados, preparando adequadamente a parturiente para o momento do parto, para que seja de forma tranquila e saudável. (NASCIMENTO et al., 2020, p. 143).
O objetivo do parto humanizado é proporcionar uma maior segurança à mulher, orientando da melhor maneira para que seja um procedimento rápido, seguro e menos doloroso. Por essa razão, os enfermeiros possuem um papel crucial antes e durante o parto, contribuindo na assistência, nas informações, nos aspectos físicos e emocionais da mulher. “Todos os profissionais de saúde envolvidos no processo no momento do parto devem apoiar com segurança a gestante, pois isso trará melhores resultados tanto para a mãe quanto para o bebê” (SILVA et al. 2022, p. 116).
O artigo tem a finalidade de pontuar o papel do enfermeiro no contexto do parto humanizado, citando os desafios encontrados durante o procedimento e a importância de atuar de maneira significativa ao lado da parturiente, com o propósito de conceder uma experiência positiva.
2.1 O enfermeiro no contexto do parto humanizado
De acordo com Silva (2013, p. 209) “o momento do parto também pode ser traumatizante ou não, tanto para a mãe quanto para o bebê”. Sendo assim, ajudar a gestante a se preparar, realizando todos os cuidados durante o pré-natal, pode evitar intercorrências na hora do parto. O papel do enfermeiro é crucial para que a mulher tenha uma experiência positiva a fim de atenuar o sofrimento. Passar as informações essenciais que contribuirão durante o trabalho de parto, proporciona uma melhor preparação, até mesmo para o acompanhante.
Nascimento et al. (2020, p. 144) explica que “a atuação do enfermeiro é fundamental no processo de humanização do parto, pois contribui por meio da explicação à gestante quanto ao desenvolvimento do parto, esclarecendo suas dúvidas, assim, evitando complicações”. Portanto, para que haja uma comunicação ativa é necessário que o enfermeiro conceda uma assistência de excelência, sempre à disposição para sanar as dúvidas da gestante. O parto humanizado requer profissionais preparados que exerçam a escuta ativa, para que as vontades da parturiente sejam atendidas. A humanização não significa que a mulher não sentirá dores, mas proporciona a atenuação do sofrimento através de posições adequadas e que propicie um conforto maior para a parturiente antes e durante o parto.
No mesmo artigo, Nascimento (2020, p. 144) afirma que “a enfermagem durante o parto atua promovendo maior segurança e conforto sempre escutando atenciosamente a paciente”. Desse modo, o profissional precisa transparecer a segurança para que a mulher tenha confiança e se sinta acolhida. O acolhimento é um aspecto que pode tornar a experiência melhor, agindo como um diferencial. O medo e a ansiedade são dois fatores que interferem negativamente durante o procedimento, desse modo, os profissionais necessitam obter a preparação para lidar com essas dificuldades apresentadas.
“A falta de informação também pode levar à má interpretação dos sinais e sintomas do parto da mulher” (XAVIER et al., 2023, p. 80). A preparação do profissional é imprescindível para lidar com diversos tipos de situações, visto que, existe particularidade para cada parturiente. Isso não deve ser destinado apenas para profissionais que atuam em atendimento particular, sendo assim, todos os profissionais da área da saúde devem estar alinhados para exercer a função de maneira qualificada.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) explica que o parto deve ser uma experiência positiva. Por essa razão, é necessário que a equipe esteja preparada para atuar de forma eficaz para desempenhar o papel fundamental com os cuidados e estratégias que visam propiciar um momento de qualidade.
2.2 Desafios enfrentados pelos profissionais
“Compreender a humanização é a capacidade de dar atenção às condições e necessidades do outro, visto que a base do trabalho do profissional de saúde é a relação humana, a humanização oferece uma nova perspectiva e um novo tipo de apoio” (SILVA et al., 2022, p. 118). Entretanto, mesmo que haja várias pesquisas e artigos que abordam esse tema central, na prática existem muitas divergências que interferem com que realmente haja humanização.
Entre vários obstáculos que impedem todas as parturientes passarem por uma experiência positiva, está a violência obstétrica, que é uma ação que amedronta muitas mulheres, interferindo em vários aspectos durante a gestação por atrair o medo do que pode acontecer durante o parto. “Destaca-se que as mulheres, sendo elas gestantes, parturientes, em situação de abortamento ou puérperas, são vítimas frequentes da violência obstétrica. Entretanto, vê-se que o processo de parturição, é o momento em que mais se observa tal prática” (SOUZA et al. 2019, p. 3).
A violência obstétrica é um tipo específico de violência contra a mulher. Por diversas vezes é divulgado nas redes sociais, vídeos em que profissionais da área da saúde agem de maneira violenta, por meio de palavras ou ações que vão contra tudo o que é correto. Segundo Souza et al. (2019, p. 3) “faz-se necessário destacar que a violência obstétrica é praticada por diferentes profissionais de saúde, gerando uma reflexão sobre a formação desses profissionais”.
Segundo Zanardo et al. (2017, p. 5) “a violência obstétrica é um fenômeno que vem acontecendo há algumas décadas na América Latina”. “A violência obstétrica ainda assusta as gestantes, além de muitos casos, as mulheres ainda se desdobram na preocupação com os casos da laceração do períneo, mesmo sendo comum na vida da gestante o medo da dor e do sofrimento” (SILVA et al., 2022, p. 115).
Muitos imaginam que essa violência é considerada apenas em ações físicas, como manobras agressivas para empurrar o bebê, ou até mesmo a episiotomia, mas Souza et al. (2019, p. 4) afirma que “os tipos de violência obstétrica relatados não são caracterizados somente por procedimentos técnicos, mas também pelo o uso de frases ofensivas, repreensões ameaças contra as mulheres e seus bebês no momento do parto”.
“Somados à violência verbal e psicológica se encontra a violência física, sendo identificada nos estudos como amarrar as parturientes durante as cesarianas” (SOUZA et al. 2019, p. 4). “A violência obstétrica compreende o uso excessivo de medicamentos e intervenções no parto, assim como a realização de práticas consideradas desagradáveis e muitas vezes dolorosas, não baseadas em evidências científicas” (ZANARDO et al., 2017, p. 5). Todas essas violências citadas podem ocorrer em hospitais públicos e particulares, mas vale ressaltar que diante aos artigos estudados, é comum que ocorra com maior frequência em unidades públicas.
Segundo Souza et al. (2019, p. 4) “as jornadas intensas de trabalho, associadas aos recursos humanos e materiais precários, também são consideradas possíveis causas para violência praticada contra as pacientes durante o trabalho de parto”. Por mais que os profissionais enfrentam esse tipo de dificuldade, isso não é uma justificativa plausível para tal ato. Portanto, é fundamental que a gestante junto ao seu acompanhante recebam e busquem todas as informações necessárias para tomarem ciência dos procedimentos que podem ser realizados, quanto aos procedimentos incorretos e antiéticos.
Na prática cotidiana o que mais as enfermeiras conseguem realizar é o apoio e orientação através dos cursos de gestante, mas procuram oferecer medidas de conforto como ambiente calmo e banho, permitir acompanhante e evitar intervenções como a tricotomia, enema e uso de ocitocina. (CASTRO E CLAPIS 2005, p. 966).
O maior desafio dos enfermeiros é atuar ao lado de médicos autoritários que praticam atos inadmissíveis. Não possuir voz ativa para lidar com a situação, ter sua habilidade e profissionalismo ofuscados por um profissional superior que não está preparado para atuar com excelência. As divergências de opiniões entre profissionais podem prejudicar o trabalho em equipe, além de comprometer as responsabilidades e obrigações.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1 Benefícios do parto humanizado com o apoio do enfermeiro
O parto humanizado proporciona muitos benefícios para a parturiente, por essa razão, esse conceito tem aumentado entre as mulheres que têm buscado uma melhor experiência. “A humanização cria uma atmosfera de bem-estar para a gestante e cria manobras que permitem o alívio da dor e diminuição dos níveis de ansiedade” (SILVA, et al. 2022, p. 118). Por essa razão, é fundamental que os profissionais da área da saúde estejam preparados para realizarem técnicas assertivas.
Segundo Silva et al. (2022, p. 114) “a humanização no parto engloba, sobretudo, atitudes acolhedoras, feitas de maneira delicada e afetuosa por partes dos profissionais de saúde em relação à parturiente e a seu bebê”. Além disso, engloba técnicas para reduzir toda tensão e dor.
As massagens, por exemplo, ajudam a aliviar a tensão muscular e a liberar endorfinas, hormônio responsável pela analgesia da dor e também faz o papel de calmante, associado com a acupressão alivia o desconforto. A mudança de posição também pode reduzir a dor e melhorar a progressão do trabalho de parto. Esses métodos não farmacológicos são eficazes e seguros para gestantes no manejo do trabalho de parto, sendo fundamental a presença do seu acompanhante como auxiliar para realizá-los de forma eficaz. (XAVIER et al. 2023, p. 83).
O cuidado com a parturiente pode influenciar em uma boa recuperação, diminuindo as ocorrências de depressão pós-parto. Castro e Clapis (2005, p.961) explica que “não se pode negar que a tecnologia e os estudos científicos têm proporcionado avanços inquestionáveis na qualidade da assistência obstétrica”. Silva et al. (2022, p. 119) afirma em sua pesquisa que “o enfermeiro precisa estar constantemente atualizado e sempre compartilhar com sua equipe a fim de alcançar o bem-estar da pessoa”.
Portanto, as pesquisas realizadas para desenvolverem novas abordagens e técnicas humanizadas são potencialmente eficazes para resultados de excelência, com o objetivo de aliviar a dor e transparecer mais tranquilidade.
Humanizar o parto é um processo que requer muito mais do que o conforto do ambiente, trata-se de uma série de cuidados desde o pré-natal ao momento do parto e orientações para o pós-parto, que objetivam proporcionar à mulher um elevado grau de satisfação, autonomia e segurança (NASCIMENTO et al., 2020, p. 143).
O profissional precisa conduzir o procedimento de maneira leve, fazendo com que a parturiente seja o foco principal. Restringindo todo tipo de comportamento inadequado de acompanhantes que podem atrapalhar o momento da mulher. De acordo com Silva et al. (2022, p. 118) “o parto humanizado busca salvar o contato humano, incluindo a escuta e o acolhimento, tão importantes quanto a assistência física e a redução das medidas de intervenção”.
O parto humanizado proporciona que a parturiente tenha voz ativa para que suas necessidades sejam atendidas, garantindo um acompanhamento e acolhimento de qualidade trabalhando toda a ansiedade e dor durante o procedimento. Além de tudo, evitar que técnicas agressivas sejam realizadas por outros profissionais. É fundamental que os profissionais se capacitem para integrar aos novos métodos que devem ser utilizados, não repassando técnicas que eram usadas anteriormente, quando ainda não havia estudos o bastante para comprovar que são consideradas violência médica. Sendo assim, na pesquisa de Brüggemann et al. (2010, p. 157), os autores afirmam que “o apoio durante o trabalho de parto ganhou destaque com o advento da prática baseada em evidência, que desencadeou a revisão das condutas obstétricas, visando à manutenção das que são benéficas e à abolição daquelas comprovadamente danosas”.
4 CONCLUSÃO
O enfermeiro tem um papel fundamental antes e durante o trabalho de parto, principalmente no quesito de propiciar o parto humanizado de forma eficaz. Visto que, é importante que a parturiente receba as orientações necessárias para compreender os procedimentos a serem realizados com a mesma, o enfermeiro precisa explicar com muito cuidado e com transparência cada técnica a ser desenvolvida para proporcionar segurança e satisfação.
Vale ressaltar, que diante a todos os pontos positivos citados, muitos profissionais da área da saúde enfrentam situações delicadas com a própria equipe, por obterem divergências no pensar e fazer. Essa dificuldade interfere diretamente na qualificação da equipe durante o trabalho de parto, além de comprometer o progresso profissional do enfermeiro que deseja realizar o ato de maneira correta.
Portanto, é importante que tais atitudes não sejam proliferadas, a ponto de que mais profissionais façam esse tipo de técnica ou fala. A qualificação recomendada, estudos de pesquisas com o propósito de capacitar e transferir conhecimento ao profissional de acordo com o que é aceitável ou não, é imprescindível para que tenhamos médicos e enfermeiros preparados para conduzir corretamente. Desse modo, será possível realizar a humanização conforme deve ser realizada, proporcionando uma segurança maior para a parturiente.
5 REFERÊNCIAS
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GOMES, C. M.; OLIVEIRA, M. P. S.; LUCENA, G. P. O papel do enfermeiro na promoção do parto humanizado. Revista Recien – Revista Científica de Enfermagem, [S. l.], v. 10, n. 29, p. 180–188, 2020.
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XAVIER, I. B. S; LIMA, L. N. F; SILVA, D. O. O aprimoramento da assistência de enfermagem à parturiente através da capacitação e cooparticipação do seu acompanhante dentro do processo de trabalho de parto. Revista Extensão, v. 7, n. 3, p. 79-91, 4 set. 2023.
ZANARDO, G. L. P. et al. Violência obstétrica no Brasil: uma revisão narrativa. Psicologia & sociedade, v. 29, p. e155043, 2017.
