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O PAPEL DA ENFERMAGEM NO PARTO HUMANIZADO

19 de Agosto de 2019.

Vanessa da Costa Veiga
Bacharel em Enfermagem.


RESUMO- O artigo apresenta a importância do papel da enfermagem mediante ao parto humanizado,
visto que, a violência obstétrica é um assunto muito abordado nas redes sociais após tornar algo a ser
discutido. O objetivo da pesquisa é apresentar os aspectos fundamentais que podem ser proporcionados
no momento tão especial para as parturientes. Os resultados dessa pesquisa evidenciaram o quanto a
preparação do profissional pode impactar durante o trabalho de parto.

PALAVRAS-CHAVE: Parto Humanizado; Parturiente; Enfermagem.


ABSTRACT- The article presents the importance of the role of nursing in humanized childbirth, given that
obstetric violence is a subject that is frequently discussed on social media after becoming something to be discussed. The objective of the research is to present the fundamental aspects that can be provided at
such a special moment for women in labor. The results of this research showed how professional
preparation can impact during labor.


KEYWORDS: Humanized Birth; Parturient; Nursing.

1 INTRODUÇÃO


Segundo Hanum et al. (2017), “o parto é um processo natural e era considerado
absolutamente fisiológico, envolvendo fatores biológicos, psicológicos e socioculturais.
Porém, por haver a necessidade de intervenção em alguns casos, o parto começou a
ser um evento institucionalizado.” Devido a essa alteração, o parto passou a ser nos
hospitais com o suporte médico, diminuindo o trabalho das parteiras.
Ao decorrer dos anos e com as mudanças de geração, o tema parto humanizado
tornou-se bastante discutido após vários relatos de violência obstétrica. O parto é um
momento significativo na vida das mulheres, e o papel dos profissionais presentes é
fazer com que haja comunicação e respeito com a parturiente, visando sempre o
bem-estar e respeitando suas vontades. Silva (2013, p. 209), defende que “o momento
do parto também pode ser traumatizante ou não, tanto para a mãe quanto para o bebê.
Sendo assim, ajudar a gestante a se preparar, realizando todos os cuidados durante o
pré-natal, pode evitar intercorrências na hora do parto.”
Os profissionais de saúde desempenham um papel imprescindível durante esse
processo, principalmente o enfermeiro obstetra, que tem uma atuação direta nas
práticas de cuidado e técnicas que visam contribuir na assistência durante o parto para
que seja proporcionado um momento de qualidade. Durante este período ocorrem
muitas alterações emocionais e físicas no corpo da mulher, e às vezes, é tomada pelo
medo por não compreender tais mudanças. Segundo Gomes et al. (2020) “o
acolhimento e a atenção oferecida pela equipe de enfermagem é de extrema
importância para amenizar o tão temido medo do parto.”
Devido a recuperação complicada do parto cesárea que ocorre em boa parte das
mulheres, muitas optam pelo parto natural, apesar de que a cesariana é indicada pelos
médicos para salvar a vida do bebê dependendo da situação.
A atuação do enfermeiro não se inicia apenas no momento do parto, mas sim,
desde o pré-natal. Desse modo, a enfermagem está presente durante todo o processo
da gestação até o pós-parto. De acordo com Nascimento (2020), “humanizar o parto é
um processo que requer muito mais do que o conforto do ambiente, trata-se de uma
série de cuidados desde o pré-natal ao momento do parto e orientações para o
pós-parto.
” O parto humanizado está relacionado a valorização da parturiente mediante
as suas escolhas, por essa razão, é fundamental que o profissional tenha discernimento
ao aplicar técnicas e auxiliar as mulheres de forma respeitosa.
A presente pesquisa tem o objetivo de evidenciar o papel do enfermeiro no
contexto do parto humanizado, em prol de apresentar as vantagens resultantes do
respeito e da comunicação entre o profissional e a gestante.


2 CONCEITOS DE PARTO HUMANIZADO


O parto humanizado refere-se ao respeito que os profissionais da saúde
precisam obter mediante as escolhas das mulheres, para priorizar o cuidado integral da
parturiente e de sua família, vale ressaltar que isso é o direito de toda gestante. A
gestante deve ter suas vontades atendida de acordo com suas necessidades e
possibilidades, com a ajuda dos profissionais de saúde, entre eles enfermeiros
capacitados, preparando adequadamente a parturiente para o momento do parto, para
que seja de forma tranquila e saudável (NASCIMENTO, 2020).
Entretanto, ao falar “parto humanizado”, pode-se imaginar que existe uma
ausência de assistência, tornando o parto em algumas ocasiões, desumanizado. Os
maus-tratos e precariedade no atendimento, assombra várias mulheres, tornando este
momento como algo negativo e traumatizante. Segundo Xavier et al. (2023), “a falta de
informação também pode levar à má interpretação dos sinais e sintomas do parto da
mulher.” Muitas mulheres não têm conhecimento específico sobre os procedimentos e,
infelizmente, não têm o seu protagonismo e voz para definir o que deseja durante o
processo de parto.
O Ministério da Saúde atribuiu o termo humanização ao “Programa de Pré-Natal
e Nascimento”, que corrobora que as gestantes e recém-nascidos merecem um
atendimento de qualidade e digno durante todo o período da gestação.
O processo gravídico puerperal demanda uma assistência digna e de qualidade
que não se limite à expulsão ou extração de um feto do ventre da mulher, é um
fenômeno que necessita a implementação de uma assistência verdadeiramente
humanizada, com todos os profissionais da saúde, respeitando as normas e
condutas preconizadas pela OMS, considerando os sentimentos e valores da
mulher. (MARQUE, et al., 2006, p. 446).

De acordo com Silva et al. (2022), “compreender a humanização é a capacidade
de dar atenção às condições e necessidades do outro, visto que a base do trabalho do
profissional de saúde é a relação humana, a humanização oferece uma nova
perspectiva e um novo tipo de apoio.”
A humanização no parto não deve ser exclusividade do atendimento particular,
mas também deve ser garantida nos serviços públicos, como o SUS, por ser um direito
da mulher.
Muitos fatores influenciam no ambiente para que ele seja considerado
adequado: a iluminação, a higiene, a temperatura local, a ventilação, o silêncio,
a privacidade, a estrutura física, a ambiência, a preservação dos mobiliários,
dentre outros. O ambiente físico e o apoio das(os) profissionais são
indissociáveis da prática de cuidado. (SILVA et al., 2015, p. 114).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o parto deve ser uma
experiência positiva, sendo assim, os médicos e enfermeiros precisam agir de maneira
respeitosa e colaborativa. No entanto, nem sempre as escolhas da parturiente serão
condizentes com a sua realidade, por meio disso, os profissionais precisam ter
comunicação e escuta ativa.



3 O PAPEL DO ENFERMEIRO NO CONTEXTO DO PARTO HUMANIZADO


De acordo com a pesquisa de Silva et al. (2022), “a violência obstétrica ainda
assusta as gestantes, além de muitos casos, as mulheres ainda se desdobram na
preocupação com os casos da laceração do períneo, mesmo sendo comum na vida da
gestante o medo da dor e do sofrimento.” Portanto, é importante que o profissional da
saúde seja acolhedor e pratique a humanização para que as parturientes sintam-se
seguras.
Em contrapartida, algumas pesquisas realizadas com enfermeiras, apontam que
em alguns casos, os médicos têm retirado suas autonomias durante o processo de
parto, desconsiderando o trabalho feito, principalmente quando se trata em respeitar as
escolhas da parturiente. Entretanto, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN),
afirma que o enfermeiro detém autonomia para prestar assistência integral às
gestantes, parturientes, puérperas e recém nascidos.
Conforme Gomes et al. (2020), “entender e empregar as boas práticas de
assistência, vem proporcionar ao processo de parturição uma assistência, com um
número reduzido de intervenções, auxiliando no estímulo, respeito e na segurança do
binômio mãe-filho na diminuição da morbimortalidade materna e neonatal.” Atualmente,
a enfermagem tem reivindicado seu compromisso no atendimento às mulheres no
momento do parto, com ênfase na busca por soluções que assegurem uma melhor
experiência de parturição e com qualidade de vida, tanto para a mãe quanto para o
recém-nascido.
Com as experiências divulgadas em redes sociais, muitas mulheres obtêm
informações sobre o que pode ou não acontecer durante o parto, entretanto, algumas
vontades podem ser contraindicadas dependendo do grau de risco. Nascimento (2020)
relata que “a enfermagem durante o parto atua promovendo maior segurança e conforto
sempre escutando atenciosamente a paciente.”
O enfermeiro precisa manter a escuta
ativa com a parturiente para compreender suas vontades e auxiliá-la da melhor maneira
que atenda suas expectativas, sem realizar técnicas de risco. O papel do enfermeiro vai
além disso, pois o mesmo precisa servir também como apoio emocional e psicológico,
visto que, na maioria das vezes a gestante talvez esteja insegura e com medo. O
profissional deve transmitir segurança e acolhimento durante o parto, tornando uma
experiência mais fácil.
O cuidado da gestante e seu acompanhamento durante a gravidez e parto é
uma preocupação que já mobilizou também órgãos federais, o que mostra a
real necessidade da implementação de programas que possam atender às
necessidades da mulher nesse período da vida. (SILVA, 2013, p. 213).


O enfermeiro monitora toda a evolução do processo durante o parto, explicando
à gestante e seu acompanhante sobre o papel fundamental da respiração, as posturas
adequadas e estratégias que visam aliviar a dor. Destacando que, a escolha do
acompanhante inclui na relação da decisão da mulher, conforme previsto na legislação
brasileira. De acordo com Xavier et al. (2023), “é importante o acompanhante estimular
pensamentos positivos na gestante com palavras de ânimo para que ela seja
encorajada a passar pelo processo natural do parto, promovendo a ela e ao seu bebê o
bem-estar.” Por essa razão, é importante que a gestante tenha autonomia na escolha
do acompanhante.
Quando falamos de escuta ativa, estamos relacionando a atenção ao ouvir as
preocupações da mulher, compreender suas vontades e respeitar suas escolhas, por
exemplo, o uso da analgesia, que às vezes é aplicado sem orientar a parturiente. É
importante que o enfermeiro tenha o hábito e responsabilidade de explicar à gestante
sobre cada etapa do processo do parto para que a mesma também compreenda o que
será melhor para ela. A atuação do enfermeiro é fundamental no processo de
humanização do parto, pois contribui por meio da explicação à gestante quanto ao
desenvolvimento do parto, esclarecendo suas dúvidas, assim, evitando complicações
(NASCIMENTO, 2020). Mediante a todos esses procedimentos que o enfermeiro
precisa ter durante o parto, torna-se evidente que a comunicação é crucial para que
tudo esteja alinhado e seja atendido para proporcionar uma assistência humanizada.


4 AS VANTAGENS DO PARTO HUMANIZADO


A humanização inicia antes mesmo durante o momento do parto, começa através
de orientações desde as consultas, para conhecer melhor o corpo e entender o que
pode acontecer durante a parição. Nascimento et al. (2020), afirma que “humanizar o
parto é um processo que requer muito mais do que o conforto do ambiente, trata-se de
uma série de cuidados desde o pré-natal ao momento do parto e orientações para o
pós-parto, que objetivam proporcionar à mulher um elevado grau de satisfação,
autonomia e segurança.” Além disso, tem vários exercícios e técnicas que a mulher
pode fazer durante a gestação que influenciará positivamente no parto.
Sabe-se que a humanização tem proporcionado melhores experiências para as
gestantes, trazendo um impacto positivo para a mãe e para o recém-nascido. Com isso,
tem se notado a diminuição do uso de medicamentos e até mesmo, episiotomias.
Infelizmente, muitas mulheres que não têm conhecimento do parto humanizado e,
acabam passando por todo esse processo com profissionais que cometem a violência
obstétrica, podem ser vítimas do procedimento da laceração. Silva et al. (2022) explica
que “com o passar dos anos e do avanço tecnológico, o ato fisiológico do parto tem sido
visto como algo patológico que favorece a técnica medicalizada e despersonalizada, e
leva cada vez mais à utilização da cirurgia de cesariana sem a devida justificativa
obstétrica.” Toda a preparação para que o parto seja humanizado reduz as possíveis
complicações para que a mulher possa ter uma recuperação rápida, proporcionando
uma maior satisfação na experiência durante e pós-parto. Portanto, o objetivo é garantir
que as necessidades do corpo da mulher sejam atendidas, ressaltando que deve-se
estar relacionado a particularidade de cada parturiente.
O que ainda é pouco discutido é que, em um parto no qual a gestante não tem
voz, o vínculo afetivo entre a mãe e o recém-nascido pode ser comprometido. O apoio
psicológico pode atenuar a ansiedade e insegurança da mulher, propiciando a redução
de depressão pós-parto. A humanização cria uma atmosfera de bem-estar para a
gestante e cria manobras que permitem o alívio da dor e diminuição dos níveis de
ansiedade (SILVA, et al. 2022).


5 DISCUSSÃO


5.1 APOIO EMOCIONAL PARA AS PARTURIENTES


Segundo Marque et al. (2006), “no período de puerpério, a assistência de
enfermagem deve ajudar na adaptação da mulher às alterações físicas e emocionais.”
Visto que, neste momento, ocorrem muitas oscilações no comportamento das mulheres.
Manter um ambiente acolhedor e propício para que as mesmas possam se sentir bem é
fundamental para o processo. O medo do parto é algo recorrente e comum entre as
gestantes, elevando uma onda de estresse, principalmente quando é uma gravidez de
risco ou quando não tem rede de apoio familiar. O enfermeiro pode ajudar a atenuar
esse medo, através de informações precisas, fazendo com que a mulher se sinta
segura.
Estudos evidenciam que o suporte emocional proporcionado pelos enfermeiros
visa fortalecer a confiança da parturiente, além de propiciar o procedimento durante o
parto.
O aspecto fundamental dessa prática é a possibilidade de a mulher receber
apoio durante o processo do nascimento de uma pessoa da sua rede social
(companheiro, familiar e amigos) e não se sentir sozinha em nenhum momento.
O apoio também pode ser realizado por profissionais responsáveis pelo cuidado
clínico ou por outras pessoas designadas exclusivamente para esta função.
(BRÜGGEMANN et al., 2010, p.156).


Vale ressaltar que muitas mulheres não têm rede de apoio nesse momento,
portanto, a construção desse vínculo entre o profissional da saúde e a gestante é
essencial para o êxito da humanização do parto. Brüggemann et al. (2010), explica que
“o apoio durante o trabalho de parto ganhou destaque com o advento da prática
baseada em evidência, que desencadeou a revisão das condutas obstétricas, visando à
manutenção das que são benéficas e à abolição daquelas comprovadamente danosas.”
O suporte emocional durante a gestação e, principalmente, durante o parto é
fundamental para o bem-estar da gestante a fim de proporcionar qualidade na
experiência de maternidade.
A relação entre o enfermeiro e a parturiente é imprescindível, pois envolve vários
aspectos relevantes relacionados aos cuidados técnicos e clínicos, além de envolver a
escuta ativa e a empatia. De acordo com a pesquisa de Costa et al. (2013), realizada
com as doulas, “para todas as participantes, o apoio emocional durante o parto é
considerado importante para estimular ou melhorar o vínculo entre a equipe de saúde e
as parturientes.” É importante que o profissional sempre oriente a gestante para que
contribua de forma significativa no desenvolvimento emocional e na evolução do parto,
esclarecendo os questionamentos e incertezas sobre todo o processo, os cuidados
necessários para a saúde da mãe e do bebê.


5.2 TÉCNICAS PARA O ALÍVIO DE DOR


As orientações para um parto mais tranquilo inicia durante o período gestacional,
para que a mulher possa a incluir estratégias em sua rotina em prol do parto natural
sem muitas dificuldades. Estudos indicam que a caminhada e alimentação saudável
influenciam positivamente no momento do parto. Xavier et al. (2023) explica que:


As massagens, por exemplo, ajudam a aliviar a tensão muscular e a liberar
endorfinas, hormônio responsável pela analgesia da dor e também faz o papel
de calmante, associado com a acupressão alivia o desconforto. A mudança de
posição também pode reduzir a dor e melhorar a progressão do trabalho de
parto. Esses métodos não farmacológicos são eficazes e seguros para
gestantes no manejo do trabalho de parto, sendo fundamental a presença do
seu acompanhante como auxiliar para realizá-los de forma eficaz. (XAVIER et
al. 2023, p. 83).


O enfermeiro ou até mesmo o acompanhante, pode aplicar massagens nas
pernas, quadris, costas, que é imprescindível na fase inicial do parto, que propiciará no
momento das contrações da gestante, introduzindo o relaxamento, além de melhorar a
circulação sanguínea. Segundo Silva et al. (2015), “orientações quanto ao uso de
massagens, exercícios respiratórios, a prática do diálogo e o estímulo à deambulação,
são possíveis de serem fornecidas por enfermeiras aos(as) acompanhantes.”
As estratégias de relaxamento e técnicas de respiração, estão conectadas com o
apoio emocional do enfermeiro e podem ser utilizadas para aliviar a tensão, além de
ajudar a gestante a enfrentar a dor do parto com mais tranquilidade e confiança. Xavier
et al. (2023), cita algumas técnicas que podem ser utilizadas para aliviar a dor, por
exemplo, massagem, acupressão, técnicas de respiração, técnicas de relaxamento e
mudanças de posicionamento. Portanto, a respiração profunda e controlada é uma das
técnicas mais utilizadas durante o parto humanizado. Dessa maneira, a tensão
muscular será reduzida, como também a sensação de dor.
Um aspecto que ocorre com muita frequência é a não aceitação por parte de
alguns médicos e enfermeiros quando se trata da posição durante o parto. Já foi
constatado que as posições podem interferir na duração do trabalho de parto,
entretanto, muitos profissionais exigem que a parturiente faça a posição que torna mais
fácil para o profissional.


A mudança de posição da mãe durante o processo de dilatação, favorece para
o parto. Algumas posições como em pé, agachada ou encostada em uma
superfície vertical, como uma parede, permite que a gravidade ajude no
posicionamento fetal, ajudando na descida do bebê, inclusive, em pé, reduz a
pressão sobre o períneo, reduzindo o risco de lacerações e traumas perineais.
Além disso, a posição ereta permite que a parturiente se movimente e encontre
a posição mais confortável para ela durante o trabalho de parto, reduzindo
assim a dor e a necessidade de intervenção médica. (XAVIER et al., 2023, p.
86).


Através do movimento contínuo, a gestante poderá identificar a melhor posição
que atenua a dor, mantendo-a mais confortável. A escolha de posições é fundamental
para o parto humanizado, principalmente quando a vontade da mulher é respeitada
diante da equipe médica. Silva (2013), explica que o ensino de exercícios tem a
finalidade de fortalecer e preparar certos grupos de músculos (controle da musculatura
perineal, fortalecimento dos músculos abdominais e da parte interna das coxas, entre
outros).
O corpo da gestante sabe como se ajustar ao processo durante a escolha de
posição conforme os movimentos, e, por essa razão, as posições durante o trabalho de
parto devem ser naturais, respeitando o ritmo da mulher. Contudo, Silva (2013) relata
que os exercícios visam “[…] aliviar dor nas costas e ensinam a manter o bebê na
posição correta no interior da pélvis) e para permitir o uso mais eficiente desses
músculos nas várias etapas da dilatação e saída do bebê, com o objetivo de
condicionar a nova associação contração uterina-respiração adequada e relaxamento.”
Outra técnica utilizada com frequência no parto humanizado, que visa oferecer
alívio para a dor e promover o relaxamento, é o banho de imersão em água. O estudo
feito por Hanum et al. (2017), mostra em porcentagem o que as parturientes relataram
em relação das técnicas de alívio da dor e, diante aos resultados, foi descrito que:


Ao identificar a técnica para o alívio da dor mais aplicada durante o trabalho de
parto, o banho morno foi referido como o método mais empregado (84,5%), e
esse fato encontra amparo na literatura, que tem demonstrado que entre os
métodos mais utilizados estão o banho de chuveiro, a deambulação, a
massagem lombossacral, o relaxamento muscular e os exercícios respiratórios,
de forma combinada ou isolada, sendo efetivos no alívio e conforto da dor de
parturientes em trabalho de parto, em sua fase ativa. (HANUM et al., 2017, p.
3307).


A água quente tem o efeito de relaxar a musculatura e reduzir o desconforto das
contrações. Diante do exposto, tem se tornado comum casos em que a mulher opte por
dar à luz em uma piscina aquecida.


5.3 DESAFIOS PARA IMPLEMENTAÇÃO DO PARTO HUMANIZADO


Todas as boas práticas sofrem determinados desafios para que possam ser
realizadas com êxito, portanto, a implementação do parto humanizado no Brasil tem
passado por grandes obstáculos. De acordo com Fernandes et al. (2023), “no que
tange às dificuldades enfrentadas quanto à implantação do parto humanizado, uma das
mais apontadas em praticamente todos os artigos foi a infraestrutura física
inadequada.” No estudo realizado, foi possível identificar que um dos maiores
obstáculos está relacionado aos hospitais, pela falta de recurso, ou até mesmo devido à
superlotação. O misto dessas ocorrências, desencadeiam sobrecarga no profissional,
que também pode interferir no atendimento, não concedendo a devida atenção à
gestante.
Um cenário de limitações em orçamentos, nem sempre incluirão o parto
humanizado, considerando isso, muitas cidades e estados sofrem por não obter os
recursos necessários para essa mudança. Segundo Silva et al. (2022), “os cuidados de
enfermagem requerem a busca de um profissional qualificado, especializado em
obstetrícia e envolvido pessoal e profissionalmente em todo o processo da gestante. Ao
fazer isso, as mulheres são aceitas com respeito, ética e dignidade no processo de
parto.” Entretanto, a sobrecarga desses profissionais fomenta a ausência de tempo, o
que limita a possibilidade de acompanhamento e atendimento personalizado, fazendo
com o que era para ser um ambiente mais acolhedor, esteja longe de ser.
Muitas gestantes, principalmente as que fazem parte de classes sociais mais
baixas, não têm conhecimento necessário sobre o desenvolvimento da gestação e
procedimentos durante o parto. É notório que, devido à falta de informação adequada
sobre seus direitos e escolhas, resultam em uma aceitação passiva, não tendo a voz
ativa para tomar as decisões que se aplicariam melhor durante o parto, ocasionando
práticas intervencionistas ou desrespeitosas. Sendo assim, Gomes et al. (2020) relata
que “o enfermeiro deve refletir sobre a sua atuação no parto humanizado, focando na
capacitação e na inclusão de boas práticas, proporcionando assim uma assistência
qualificada.”
Vários serviços de saúde pública carecem de condições adequadas para
proporcionar um parto humanizado, por exemplo, quartos adequados para partos
normais, presença de acompanhantes mediante a escolha da gestante durante o parto
e equipamentos que contribuam com a mobilidade da mulher. Fernandes et al. (2023)
cita em seu artigo relatos sobre uma reportagem do G1 que aponta essas questões
negativas dos hospitais.
Reportagens como estas corroboram com o fato citado, e reafirmam a
necessidade de melhorias na infraestrutura ofertada a esta clientela, uma
vez que a humanização perpassa pela ambiência, sendo este também um
direito da mulher, muitas vezes negado ou ofertado de modo inadequado,
gerando assim uma desumanização na assistência prestada. (FERNANDES et
al. 2023, p. 6).


Por outra perspectiva, a falta de aperfeiçoamento dos profissionais, podem
limitá-los a enxergar novas possibilidades que contribuem significativamente para as
parturientes, sendo um motivo que desencadeia a violência obstétrica. Silva et al.
(2022), explica que “a humanização no parto engloba, sobretudo, atitudes acolhedoras,
feitas de maneira delicada e afetuosa por parte dos profissionais de saúde em relação à
parturiente e a seu bebê.” Entretanto, a resistência cultural dos profissionais de saúde e
dos hospitais é uma barreira que amedronta muitas mulheres durante o parto. Mediante
a isso, é fundamental que a equipe seja treinada para aplicar as práticas que já foram
confirmadas a proporcionarem melhores resultados no procedimento.
Com base ainda na pesquisa dos mesmos autores, a falta de privacidade foi
apontada como um problema.


É notório, que nesse momento muitas mulheres gostariam de ter sua
privacidade respeitada, o que geralmente não ocorre, ficando estas em
enfermarias superlotadas que associado a escassez dos recursos faz com que
os momentos que antecedem o parto seja algo compartilhado com pessoas
desconhecidas, que não fazem parte do seu convívio e círculo familiar, gerando
muitas vezes insegurança e medo do que estar por vir. (FERNANDES, et al.
2023, p. 7).


Mediante a esses aspectos que devem ser melhorados, muitas gestantes
chegam a ter um pico de ansiedade por medo do que pode acontecer, portanto, esse
assunto deve ser abordado frequentemente para que alcance um número maior de
mulheres, para que as mesmas estejam cientes dos direitos que são reservados a elas.


6 CONSIDERAÇÕES FINAIS


Manter a gestante informada dos procedimentos a serem realizados em seu
corpo, assim como, ouvi-la e respeitar suas escolhas, pode proporcionar uma
experiência favorável para a mesma e seu recém-nascido.
Portanto, é imprescindível que os profissionais busquem aperfeiçoar e
compreender o que será propício, salientando que cada parturiente tem sua
particularidade e, as abordagens sempre serão distintas por tratar de pessoas e
escolhas diferentes.
As mulheres que passam por esse processo merecem ser ouvidas e respeitadas,
para isso, os profissionais devem proporcionar o bem-estar e o acolhimento, para
assim, acabarmos com a “normalidade” da violência obstétrica. Contudo, a atuação
humanizada necessita de suporte institucional, para que o avanço da assistência
obstétrica tenha os melhores resultados para as gestantes.


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